segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Um dia de "fúria"

Às vezes remexendo arquivos perdidos em meu computador encontro algumas pérolas de meu processo criativo huauahuha...nem lembro em que circunstâncias e quando foi escrito o texto abaixo, mas até que ficou interessante...

Um dia revoltada, um dia de tpm, um dia sem porquê...ótimo para escrever...ahh, e melhor, bêbada! Bêbaaassa... já odiei os bêbados, já admirei os bêbados, já fiquei bêbada...é a libertação...de repente tudo, mas tudo que você se concentra para segurar...simplesmente sai...ufaaaa sai...falo sobre os pensamentos, mas por que os prendemos oras? Que triste sociedade que prende seus sentimentos, que pobre humanidade que maquia sua humanidade...bem vindos ao nosso mundo, ao nosso teatro social...quantos mistérios tem uma alma para que precisemos escondê-los tão fervorosamente? apresente-me alguém verdadeiro e transparente e eu te darei outro...esse é o princípio..mostre-me algo de si e te mostrarei algo de mim...e assim por diante...tolice!!! As pessoas são capazes de fazer mal até com monossílabas, então FODA-SE!!! Mostre-se e espere para ver o resultado, o que também é uma grande incógnita... pelo menos se mostrando será um incógnita passível de entendimento, enquanto que se mantiver o “mistério sobre seu mistério” você continuará a ser só uma incógnita...palavra feia não!?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sinais vitais

Bom sem mais delongas vamos ao texto do mês...

O poema abaixo reflete aquele pequeno momento em que nos damos conta de que amadurecemos, quando entendemos e aceitamos certos “contratempos” em nossas vidas, quando algo que doeu não dói mais, quando algo que incomodava não incomoda mais. Esse tipo de situação está sempre ocorrendo, um amadurecimento sempre desejado por nós. Mas o amadurecimento é um objetivo ou um resultado irreversível de nossas experiências? Entendo o amadurecimento como aquele estado de espírito em que se consegue digerir os contratempos com mais facilidade, em que as emoções estão menos exageradas, em que a calma impera e a paciência supera a ansiedade. Algumas pessoas chamam isso de sabedoria, e gastam boa parte de sua vida buscando encontrá-la. Tenho me questionado até que ponto é bom ter as emoções tão domesticadas, até que ponto continuamos plenamente vivos com nossas emoções tão sensatas. De repente tive a impressão de que amadurecimento e sabedoria são apenas conseqüências da utilização inconsciente de doses homeopáticas de anestésicos, que tomamos no decorrer de nossa existência, e então aquilo que nos fazia sentir vivos...dor de coração partido, acesso de raiva, ansiedade descontrolada, nervosismo em uma entrevista de emprego...com o tempo amortece, essas mudanças ocorrem concomitantes ao envelhecimento fisiológico que fatalmente termina em morte. Até soa trágico, mas é real... nascemos com todos os sentidos em pleno funcionamento, captando tudo, sensibilizando com tudo, no desencadear das experiências os sentidos parecem perder sensores e vamos continuamente nos anestesiando até o encerramento da vida. Tudo bem, então o amadurecimento é algo que não podemos evitar e a perda de sensibilidade também, pois são fisiológicos? Sim e não, o amadurecimento acontece porque aprendemos a ter medo, aprendemos a ser sensatos, a relevar, enfim aprendemos que certos descontroles não valem a pena, pois causam um desgaste emocional e psicológico, só que talvez sejam exatamente esses descontroles que nos façam vivos, são esses sentimentos que fazem a respiração ser mais forte, que faz o sangue pulsar com mais intensidade, que solta ou prende o intestino...sinais reais de vida, sinais vitais que vão desaparecendo com o famigerado amadurecimento.
Idéias meio malucas, conceitos subjetivos, entendam como quiserem, discordem com fervor.

domingo, 16 de agosto de 2009

Quando as lágrimas param de rolar...

Quando as lágrimas param de rolar...
O que significa?
Um coração mais forte?
Ou simplesmente cansado e conformado?
Pode ainda estar entorpecido de falsa calma, fingida alegria.
Talvez o que antes era grande, agora é pequeno, o que antes era dor, agora mal-humor.
Um dia desejei findá-las...
Hoje sinto falta daquela intensidade, daquela chama, que fechava a garganta, que inchava a cara, saudade das minhas lágrimas salgadas que um dia rolavam e me faziam acordada.



Pequeno momento, grandes reflexões....essa é apenas uma chamada para o próximo post...aguardem!

domingo, 26 de julho de 2009

Amor e amores

Para não ficar muito tempo sem publicação lá vai um textinho...

Enquanto dormia conheci o Amor, ele era simples, fácil e raramente surgia, não aparecia a corações desalinhados e não suportava desrespeito, por isso evitava os egoístas. No sonho, quando o encontrei, era como se nos conhecêssemos desde sempre...o Amor é assim mesmo quando se permite nos deixa a vontade, livres e leves, estar com ele é muito bom, sensação mágica e inexplicavelmente calma. Ao acordar me deparei com muitos Amores, mas até agora não encontrei o Amor. Amores são complicados, cheios de obstáculos e divergências, aparecem a qualquer um, pois gostam de brincar, não querem se apegar, por isso se mostram a todo tipo de coração...aos imaturos, aos inocentes e até aos desalinhados. Ao lado dos Amores a gente se sente preso, sufocado e com medo, como se qualquer erro fosse motivo para os Amores irem embora, mas ele sempre vão, Amores vem e vão! Enquanto não encontro o Amor, acordo todos os dias para aprender com os Amores o que o Amor espera de mim ...que eu seja forte e paciente para encontrá-lo.
Que tipo de amor vocês têm encontrado caros leitores?

terça-feira, 23 de junho de 2009

Como você "come" sua vida?



Engraçado como em conversas descontraídas e desinteressadas surgem grandes pensamentos. O tema deste post surgiu em meio a pizzas e refrigerantes, onde se discutia os hábitos de uma comilona assumida... eu. Comer sempre foi um prazer para mim, porém já tive meus altos e baixos com este hábito essencial à sobrevivência. No entanto, este dia me fez ver este hábito com outros olhos, uma das pessoas na mesa – apaixonada pela arte de cozinhar – disse algo intrigante... “– Para mim a forma como as pessoas comem diz muito sobre como elas vivem suas vidas”... frase simples e cheia de significações.
Essa frase me fez pensar sobre meus hábitos e de maneira reveladora, realmente a forma como me alimento tem muito a ver com a forma como vivo minha vida. Assim, adequando o sábio ditado indiano “você é aquilo que come” ao tema deste post...”você é como você come”.
Nossa relação com a comida é inerente e essencial, precisamos dela para viver e não podemos mudar isso, mas a forma como comemos pode mudar e muito. Muda de pessoa para pessoa, de cidade para cidade, de país para país, de idade para idade, de macho para fêmea, assim como a forma que vivemos. Podemos comer rápido, podemos viver rápido, podemos comer variedade, podemos viver variando, podemos deixar de comer, podemos deixar de viver. A minha forma de comer a vida, ou melhor, a forma como eu quero comer minha vida, se resume em uma frase: - Quero sentir os sabores e dissabores da vida, antes que não possa mais sentir. Quero experimentar cada pedacinho da vida, cada gosto amargo e doce, cada creme, cada crocante, cada mistura de tudo. Algumas pessoas fazem isso, outras apenas engolem a vida como algo que deve entrar simplesmente, não como algo que deve ser degustado e apreciado. Para algumas pessoas – obesas mórbidas, anorexas, bulêmicas - a comida é fonte de angústia e dor, assim como a vida, elas não conseguem encontrar prazer na hora de comer, e não conseguem comer a vida com prazer.
A vida, assim como cada alimento (frutas, cereais, legumes, verduras, massas, carnes), é rica em sabores e texturas, cada um deles e misturas deles são únicos em sabores, por isso não deixe de experimentá-los. E ainda que não goste, pelo menos poderá ter a certeza que se alimentou bem de sua vida.

Por isso, fica a pergunta...COMO VOCÊ COME SUA VIDA?



OBS: Como podem ver pelo tamanho deste post, diferente do anterior...conseguir evitar a prolixidade rsrs.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Criança com olhar de adulto?


Que olhos são esses?
Que não brilham como antes
Que não vêem como dantes

Queria alegrar-me com pouco
Sorrir como um louco

Por coisas tolas
Por isso e aquilo à toa

Ver as pequenas sutilezas
As difíceis belezas

Da adulta realidade
Da cega seriedade

Será que há oportunidade?
Posso eu ver com a felicidade?

Estar feliz não traz admiração
Apenas instiga emoção
E só permite aquela visão
Se quiseres então.

Quis começar o post deste mês com este poema que escrevi há tempos, provavelmente há 2 anos, pois o cerne dele se baseia no mesmo tema deste novo post: O olhar de uma criança!!
É engraçado guardar estes poemas e revê-los após algum tempo, podemos notar claramente o quanto mudamos e como nossa percepção do mundo muda. Este poema nasceu da observação do olhar de uma criança, o que muitas vezes me frustrava, pois tentava encontrar em meus olhos aquele mesmo brilho e, enquanto me questionava sobre tal, surgiu o poema acima, ele não traz respostas, mas notando o brilho no olhar dos adultos, quando estes se encontram em momentos de felicidade plena, notei que os brilhos são parecidos, ao menos apresentam a mesma intensidade, mas é óbvio que não são iguais. O olhar de uma criança é composto de admiração, admiração pelo novo, pela ignorância, pela ingenuidade, e nós – adultos - não temos mais isso, a não ser que sejamos “Macabéas”1, mas os “Macabéas” da sociedade muitas vezes são ridicularizados, estigmatizados ou simplesmente ignorados. Quando vejo o olhar de uma criança sempre sinto um misto de alegria e pesar, eu realmente ainda queria ver o mundo com aqueles olhos, mas o mundo nos arranca a capacidade de ver com admiração, logo eu poderia desejar ser Macabéa, mas para mim já é tarde, então talvez eu consiga pelo menos olhar o mundo de forma mais positiva, mais ingênua, e ser taxada como boazinha e bobinha. Mas o que me levou a escrever este post não foi a “inveja” dos olhares das crianças, na verdade foi o contrário, recentemente temos sido bombardeados com reportagens sobre casos de violência sexual contra crianças e ao ler uma dessas reportagens logo me questionei... - Será que invejo o olhar de todo tipo de criança? Até estas que sofreram abuso? Parece loucura, mas eu fiquei extremamente brava porque estes seres desumanos tiraram o brilho, tão invejado por mim, do olhar dessas crianças, eles tiraram aquilo que faz delas pessoinhas tão especiais e dignas da plena felicidade, porque ninguém além de uma criança é mais digna de felicidade. Algumas pessoas podem até discordar, porque muitas dessas crianças nem entendem o que aconteceu com elas, talvez até preservem o brilho infantil, mas não sei... uma parte de sua pureza e ignorância foi cruelmente arrancado delas, logo não acredito que o brilho continue com a mesma intensidade.
Usei a violência sexual para questionar o que estamos fazendo com o brilho no olhar de nossas crianças, mas esse é apenas um caso com notoriedade maior e que talvez cause um pouco mais de estardalhaço, mas muitas outras coisas fazemos, pois se não o fizéssemos nossas crianças não teriam filhos, não matariam, nem roubariam e com certeza elas não têm o brilho que um dia invejei e que um dia, por sorte, também tive.
Bom, este texto foi só para expor minha preocupação com a infância de nossas crianças, algumas não tem nem chance, pois nascem em contextos conturbados, são vítimas muito cedo de inúmeras violências, mas algumas crianças tem todas as chances do mundo, mas muitos pais deixam que a ignorância e a ingenuidade de seus filhos seja precocemente extinta, logo permitem que o brilho no olhar deles seja menos intenso. Se não pararmos pra refletir sobre nossas crianças e sobre a infância que estamos dando à elas, logo teremos crianças com olhar de adulto e eu, sinceramente, não vejo nenhum benefício nisso.


1. Macabéa: é personagem de A hora da estrela, de Clarice Lispector (1925-1977), vê a vida como uma coisa que apenas é porque é: já que sou, o jeito é ser. Ela não se questiona, sua existência é apenas ser, como um cachorro é cachorro sem o saber. Raquítica, sem vocação, sem sonhos e sem objetivos, acredita mesmo ter sido "soprada" no mundo - como quando um cisco é soprado do olho.

Obs: Essa é a descrição de Macabéa no Wikipédia, mas quando li este livro entendi Macabéa como uma pessoa feliz e confortavelmente alienada, sua ignorância e ingenuidade eram sua proteção contra a “feiura” do mundo que a cercava, por ignorar muitas coisas, ainda conseguia se admirar com o simples.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A linha tênue entre força e arrogância.

Olá caros leitores! Por incrível que pareça estou conseguindo manter o objetivo de postar pelo menos uma vez por mês. Então vamos ao post deste mês, vale lembrar aos leitores que não deixam comentários... opiniões, críticas e sugestões são muito bem vindas, e aos que deixam comentários muito obrigada.

A linha tênue entre força e arrogância.


Poucos são os que entendem e menos ainda os que procuram entender, mas existe uma linha muito tênue entre força e arrogância. É sobre esta linha que irei postar hoje.
Uma pessoa arrogante provoca no mínimo distanciamento, que pode evoluir para aversão e finalmente estigma. Mas existe uma característica humana que sempre admirei que poderia fazer a diferença neste processo... a ponderação. A ponderação é o cerne da minha “teoria” da complexidade, haha...como já fui criticada e crucificada por essa teoria. Hoje encaro a vida com mais simplicidade, mas o entendimento da complexidade dela me fez vê-la simples. Nossa está ficando complicado este post rsrs, mas é simples, vou utilizar um exemplo representativo:
Raspadinha...para quem não sabe é uma deliciosa bebida feita de gelo raspado, uma colher de leite condensado e essência de uva, ou melhor – como eu gosto – um pouco de essência de uva e um pouco de essência de abacaxi e para consumí-la um canudinho, tudo do mais barato...para mim é a bebida perfeita em uma tarde quente e custa 1,00; putz!! quer coisa mais simples que isso!!!!
Enfim perto de outras tantas bebidas mais elaboradas...mas pensando no ingrediente, aparentemente, mais simples...o gelo – água congelada a 0oC raspada... aparentemente simples, mas começamos a olhar para o senhorzinho que faz a raspadinha, quantas vezes seus braços já frágeis rasparam aquela enorme barra de gelo e onde será que ele compra aquela barra, onde ela é congelada, quais os cuidado de higiene, de onde vem a água, de que fonte, como se formou esta fonte, qual é a formula química da água, quais são as forças químicas que a fazem água e mais ainda quais as forças físicas que a fazem gelo...ufaaa...tem muito mais, posso ver muita complexidade em um gelo raspado!
É isso que defendo em minha “teoria” da complexidade, pois é na capacidade de ver o mundo dessa forma que se desenvolve a capacidade de ponderar.
Agora...usando a ponderação e a “teoria” da complexidade ao conhecer uma pessoa arrogante, pergunto-me: - Por que tanta arrogância? Recentemente me ocorreu que a arrogância tem uma forte relação com a força, e que a força tem uma forte relação com a fraqueza, essas relações são praticamente óbvias, mas o que não era óbvio antes é que uma pessoa pode inconscientemente tornar-se arrogante porque na verdade sente-se forte, não mais forte que os outros, mas muito mais forte do que um dia já foi, e esta sensação pode ser ainda maior quando essa pessoa consegue se auto-resgatar de uma situação de extrema fraqueza física, intelectual e emocional. Por isso digo, às vezes, uma pessoa arrogante é apenas uma pessoa que depois de ser muito fraca deixa extravasar a grande força que sente em seu coração, neste momento a linha tênue que separa sentimento de força e arrogância pendeu para este último, mas isso é totalmente aceitável, já que nós seres humanos nem sempre conseguimos controlar nossas exterioridades. Mas a ponderação pode ser uma boa arma contra esse desequilíbrio...aos que julgam ela serve para ver a complexidade das atitudes alheias, e aos arrogantes para tentar controlar suas atitudes “arrogantes”.

Nossa complexo este post né!? rsrsr


Obs: A “teoria” da complexidade ainda esta em processo de formulação rsrs.