domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sobre casas velhas e relacionamentos



Moro em uma casa velha, quando mudei ela se encaixava perfeitamente nos meus requisitos financeiros e logísticos. Ela tem cômodos amplos e bem distribuídos, onde coloquei uma escrivaninha bem grande, uma cama bem larga e ainda me sobrou espaço para dançar em frente ao espelho. O chão de taco dá um charme especial à ela. Apesar de todas essas característica, o que me faz mesmo gostar dela é que me sinto em casa, confortável e a vontade. Essa casa era muito boa no começo, mas começou a me “dar problemas”, incompatibilidade com moradora, cupim no forro, mato no quintal, goiabas infinitas, crianças na goiabeira... depois veio a reforma, 2 meses sem casa para morar, cano quebrado, 160 reais de gastos com água, vidros quebrados, box quebrado, armário quebrado, vizinho bêbado, vizinha barraqueira, imobiliária oportunistas, enfim, o conto de fadas virou um conto de terror. Com tantos “defeitos” só me restava uma iniciativa...mudar de casa. Essa parecia a decisão mais sensata e assim comecei a procura... apartamentos apertados e caros, casas com cômodos estranhamente distribuídos e, sempre, quartos pequenos. Um dia, cansada de procurar, pedi a Deus que iluminasse minha procura e decidi que só mudaria caso encontrasse um outro lugar que me fizesse querer morar nele... não encontrei e decidi ficar na casa. Hoje eu continuo me sentido em casa, adoro meu quarto espaçoso com chão de taco, quando longe sinto falta do meu cantinho que me deixa tão à vontade. Os problemas diminuíram, agora nem lembro de nenhum. Moral da história... casas velhas dão problemas, novas também, hoje sempre penso... “mudar de casa teria resolvido alguns problemas, trazidos outros, mas talvez eu nunca me sentisse tão em casa, tão feliz e a vontade”. Hoje considero essa casa como uma conquista, é como se estivéssemos em um relacionamento, perfeito no começo, desafiador no meio e sintonizado no final. Relacionamentos seguem sempre esses três momentos: bons, desafiadores, sintonizados e isso vai se repetir e repetir por toda a vida a dois, nunca será um conto de fadas, terá sempre capítulos de “terror”. Mas a questão é... o que te faz ficar em um relacionamento? O que te faz ficar em uma casa velha? Para as duas perguntas aprendi que não deve ser a falta de problemas, porque eles sempre existirão, de forma cíclica. Na atualidade vejo muita gente tratando relacionamentos como casas velhas, que podem ser abandonadas no primeiro sinal de problema, como um produto que deve ser consumido até o prazer acabar.... uma pena, porque certos sentimentos você não encontra em qualquer casa, nem pode comprar em um mercado.

Pra finalizar uma perguntinha básica.... como você trata seus relacionamentos?

2 comentários:

Will disse...

Adorei o texto Jag´s.
Acho que se encaixa perfeitamente na vida de todos nós.
Bjss...
Will

fbnfrh disse...

Olá, Vanessa. Muito obrigado por nos agraciar com mais esses preciosos pensamentos saídos do fundo do âmago do ser.
Eu diria que costumo cuidar dos meus relacionamentos do mesmo modo que eu cuido dos meus cactos. Sempre acho que eles não estão precisando muito de mim.
Admiro as pessoas que têm a sabedoria e a habilidade para cultivar seus relacionamentos. E igualmente, admiro as que têm a sensibilidade para definir o momento exato e necessário de deixá-los para trás no caminho e moverem-se adiante.